Ébola en la Folha de São Paulo (1976-2015): invisibilidad y desvalorización cultural de África

Lassana Danfá, Renata Lira dos Santos Aléssio, Ana Raquel Rosas Torres

Resumen

Este artigo investigou a construção social da/o ebola via imprensa brasileira à luz da Teoria das Representações Sociais. Os dados foram coletados na Folha de São Paulo, desde o surgimento do vírus (1976) até março de 2015. Foram analisadas 291 matérias, por meio do software IRAMUTEQ. Os resultados mostram mundos léxicos organizados em torno dos discursos especialista e não especialista. O primeiro traduz as hipóteses científicas explicativas sobre o vírus do ebola. Já segundo aponta para a dicotomia ocidente versus África. Os resultados demonstram que a crise da ebola reatualiza a themata do reconhecimento social pela negativa, o essencialismo do africano, alteridade radical, hierarquização cultural e a invisibilidade do africano como protagonista apto a falar de sua realidade.

Palabras clave

Ebola; África; Imprensa; Racismo

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